A força que tem a palavra “teste”

Há palavras que têm uma força impressionante. Batem cá dentro, obrigam-nos a mudar atitudes, a seguir novos rumos. Quase por instinto. E fazemos de repente o que nos recusámos a fazer durante tanto tempo.

Na praia, perante o aglomerado de pessoas deitadas na areia quase em cima do mar e que não arredavam pé apesar dos avisos, o banheiro resolveu pegar no megafone e gritou “tsunami!”. Foi uma debandada geral, tudo a fugir para longe do mar. Não veio o tsunami, mas bastou o som duma palavra para fazer em segundos o que o banheiro não tinha conseguido em horas.

O IFonline vai na terceira semana, e sabemos que alguns alunos não fazem caso dos nossos apelos para seguirem as aulas ou estudarem com o material que enviamos (e é muito). Eles (não todos!) têm a arte de fingir que fazem, não fazendo. Estava na altura do grito:  “teste!”. Foi uma correria à plataforma e às aulas, os telefones do IF não pararam. “Teste” é a palavra que faz os alunos sair da sua zona de conforto. Vai contra a motivação pedagógica e é pena que seja assim? Pois, mas funciona.

Neste momento todos os alunos do Juvenil estão a fazer o seu primeiro Unit Test: com revisão prévia, com instruções e normas bem definidas, como estão habituados. É um teste adaptado às circunstâncias, mas basta que se chame “teste” para alterar a atitude de muitos alunos. No fim há uma nota a que os alunos (exageradamente, por vezes) são demasiado sensíveis. Um ponto a mais ou a menos parece ser o fim do mundo.

Este teste vai servir para analisarmos muita coisa, mas serve sobretudo para que os alunos saibam que têm de fazer a parte deles. Ou seja, é preciso levar o IFonline a sério, é preciso aprender, é preciso trabalhar. Nós e os pais estamos a fazer a nossa parte. Os alunos devem fazer a parte deles, pois é para eles que trabalhamos. Custa um pouco?  Mas nem tudo na vida são facilidades… E este Covid é prova disso.